Fausto Muniz

Era uma vez um boyzinho que vivia com a cabeça na lua. Passava horas e mais horas falando com uma plateia de amigos imaginários com os quais trocava ideias e criava laços (até hoje).

Esse menino ficava no quintal de casa, ao lado de uma caixa d’água, debaixo de um pé de acerola, lendo Hamlet. Ainda que não entendesse nada, ficava todo metido à besta.

Esse menino, ao crescer, pensou que tinha déficit de atenção e hiperatividade, palavras chiques que só querem dizer que ele pensava e falava na hora errada e não podia ficar quieto no canto um segundo só.

Ao contrário de um monte de gente, esse projeto de gente cresceu com galinhas e pintos, em vez de gatos e cachorros (sua irmã, Faustina, é uma galinha, no bom sentido).

Uma vez, essa criatura inventou de pegar todos os produtos químicos de limpeza de sua casa e os misturou numa bacia de plástico. Objetivo: fazer tudo explodir. Não deu certo, ainda bem.

Esse menino via as novelas da TV e criava suas próprias novelas, recheadas de muito drama, lágrimas e mulheres desesperadas. Esse menino tem como pai o videogame e a mãe a TV.

A internet é sua tia. Esse menino inventou de ser jornalista, inventou de ser escritor, comediante, dançarino… inventou de ser um pouco de cada coisa, porque ele continua com o déficit de atenção que o impede de fazer uma coisa só e a inquietação que o incomoda igual chulé e catinga de suvaco.

E assim, essa história continua até hoje. Dizem que esse pirralho cresceu, mas não colocaria muita fé nisso. Ele continua uma criança, correndo atrás de tanajura, com medo de “peito de véia” (fogos), doido pra jogar “Tombi Ráidi” (tomb raider) e um abestalhado de primeira, só que com bigode na cara e quatro olhos em cima da venta.

 

Fausto Muniz

Escritor e Ator